quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Fungos, um inimigo desconhecido


Para as crianças e adultos que frequentam piscinas, praticar natação é um prazer, mas se não forem tomadas as devidas precauções, as zonas de acesso podem constituir um foco de infecções. Os fungos que por ali proliferam são formas de vida simples que, por vezes, estão na origem de situações complexas.

Durante o Verão, o aumento do suor favorece o aparecimento das micoses na pele.
Os cuidados higiénicos são importantes para evitá-los.
Os fungos são uma antiga forma de vida. Não são plantas porque não têm clorofila nem podem fabricar o seu próprio alimento. Os seus parentes mais próximos são as bactérias e provavelmente é destas que eles provêm.
Os fungos decompõem a matéria orgânica morta ou parasitam animais, plantas e humanos, sendo a sua actividade vital para as formas superiores de vida.
A maioria dos fungos é inócua ou benéfica. Basta pensar que, para além dos fungos comestíveis (cogumelos), nesta classe também entram leveduras, utilizadas na panificação e na fermentação da cerveja. Contudo, eles podem provocar perturbações ou mesmo doenças graves.

As micoses, quando atingem a pele, recebem geralmente o nome de tinhas (ou tínea) e manifestam-se pelo aparecimento de lesões de cor avermelhada, escamação e são pruriginosas, ou seja, provocam comichão. Destacam-se as seguintes micoses:

Micose de couro cabeludo (capitis)
Muito frequente em crianças pré-escolares e escolares. Apresenta-se como uma placa de cabelos picotados, com descamação no centro ou com reacção inflamatória. Quando apresenta muitos abcessos ou pus, forma o quadro denominado de Kerion celsii, podendo até deixar cicatriz.

Micose de barba (barbae)
Ocorre na área da barba. Pode ter aspecto inflamatório, semelhante à infecção ou apresentar uma lesão com bordas bem delimitadas, com microvesículas e um centro, com crescimento descamativo pelas bordas, como é típico de todas lesões de micoses.

Micose do corpo (corporis)
Pode aparecer em qualquer área do corpo, em geral com um aspecto bem característico, e crescimento pelas bordas, com microvesículas, avermelhada.

Micose de mão (manuum)
Pode apresentar-se como uma descamação difusa ou com pequenas bolhas.

Micose crural (cruris)
É a tinha localizada entre as coxas, podendo alastrar-se para a área genital. E mais comum em homens e no Verão (pelo aumento da temperatura local e da humidade).

Pé de Atleta
É uma infecção na qual a pele do pé se torna húmida, inflamada e com comichão. Primariamente, a infecção afecta a pele entre e debaixo dos dedos dos pés, sobretudo do quarto e do quinto. A pele descasca-se e greta, produzindo, por vezes, áreas feridas. Nos casos graves, as unhas também são afectadas e tornam-se espessas e descoloridas.

Micose de unha
A onicomicose é uma infecção das unhas que ocorre com maior frequência nos pés, mas também pode ocorrer nas mãos.
Quando uma micose se instala nas unhas, estas podem sofrer um espessamento, alterar a sua forma e aparência, mudar a sua coloração; algumas vezes tornam-se mais frágeis e quebradiças e, noutros casos, ficam endurecidas.

Candidíase
A candidíase manifesta-se em áreas constantemente húmidas, como na região da fralda nas crianças, área sob as mamas, entre os dedos das mãos de pessoas que trabalham expostos à água, na região da virilha… Apresenta-se geralmente como lesões avermelhadas sobre a pele húmida e macerada. Pode gerar comichão, ardor ou outros sintomas, dependendo da extensão da lesão.

Micose de Praia
A Micose de Praia ou Pano Branco surge geralmente como manchas que escamam, às vezes brancas, outras castanhas ou ainda noutras tonalidades. Normalmente, surge no corpo, pescoço, face e membros. Praticamente, esta doença não apresenta sintomas.

Histoplasmose
A Histoplasmose é uma infecção causada por um fungo, o Histoplasma capsulatum, que se encontra no solo e nos excrementos de morcegos e determinadas aves. Na maioria dos casos manifesta-se nos pulmões, sendo provocada pela inalação dos minúsculos esporos do fungo, transportados pelo ar. Na sua forma mais aguda provoca febre, mal-estar e outros sintomas semelhantes aos da gripe.

Como prevenir as micoses?
Tenha bons cuidados higiénicos.
Prefira meias e roupas íntimas de algodão, pois as fibras sintéticas retêm o suor.
Mantenha os ambientes secos e limpos.
Não use roupa e calçado apertados e inadequados.
Seque a pele após o banho, piscina, praia, ou quaisquer outras actividades que deixem a pele húmida, com especial atenção para a região das dobras, como virilhas, entre os dedos, sob as mamas.
Não compartilhe toalhas, roupas e chinelos com outras pessoas.
Evite caminhar descalço em locais públicos (piscinas, praias e saunas).
Quando for à manicura ou pedicura, leve o seu próprio material, caso não o tenha, verifique se está esterilizado.
Mantenha as unhas sempre bem limpas e curtas.
Não leve animais domésticos à praia e evite as que são frequentadas por cães e gatos.
Doenças como a diabetes devem ser controladas.

Como tratar as micoses?
É importante saber que as micoses podem ser tratadas. Poderão ser usadas medicações locais sob a forma de cremes, loções, soluções ou medicações via oral, dependendo da intensidade do quadro. O tratamento das micoses é sempre prolongado, variando de 30 a 60 dias. A interrupção do tratamento deve ocorrer por orientação médica, pois mesmo sem sintomas o fungo pode resistir nas camadas mais profundas.
Evite usar medicamentos indicados por outras pessoas, pois podem ocultar características importantes para o diagnóstico correcto da micose. O especialista irá prescrever um tratamento adequado ao tipo de infecção.
Um aspecto importante do tratamento é seguir correcta e rigorosamente a prescrição médica, pois se todos os fungos não forem eliminados, a micose pode voltar.
Sempre que tiver alguma suspeita de micose, procure o médico para a diagnosticar e tratar correctamente.
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